Eu vi a agonia de um feto, por isso sou contra o aborto

Luiz Carlos da Cruz é jornalista em Cascavel (PR)

A gravidez de uma criança de 11 anos, em Santa Catarina, que teve um aborto inicialmente negado pela Justiça, mas que acabou realizando o procedimento para arrancar o feto nesta quinta-feira (23), teve repercussão internacional e provocou debates acalorados entre abortistas e defensores da vida. A criança engravidou após ser vítima de um estupro.

Não quero entrar no mérito sobre a questão de aborto legal, entendo que, neste caso, a decisão cabe a família da menina, mas uso esse espaço para republicar um artigo há mais de dois anos discorrendo sobre as razões que me levam a ser contra o aborto.  Este artigo não está retratando o caso da pequena criança catarinense, mas meu posicionamento sobre o aborto de forma indiscriminada.

Desculpem-me os defensores do aborto, mas tenho minhas convicções para acreditar que o ato é um crime bárbaro e hediondo. Creio que a vida começa no momento em que, de maneira fantástica e maravilhosa, um espermatozoide consegue chegar ao interior de um óvulo. Tenho minhas razões para crer que tanto o embrião quanto o feto são vidas.

Quando vejo a discussão sobre o aborto lembro de uma cena que presenciei há mais de 25 anos e que nunca saiu – nem sairá – da minha mente. Eu era estagiário do curso técnico de enfermagem – pra quem não sabe tenho essa qualificação profissional também – quando uma colega de curso me chamou até uma sala do hospital para me mostrar algo “estarrecedor”.

O relógio marcava mais ou menos 13h30 e eu estava iniciando o período de estágio. Naquela sala estava sobre um pano verde em cima de uma mesa um feto – se não me engano de oito semanas – que lutava para se manter vivo. Era filho de uma adolescente que havia ingerido Cytotec, um comprimido para tratamento de úlceras, mas que é proibido no Brasil por ser usado para prática do chamado aborto farmacológico. Apesar de proibido, sua venda é comum em alguns estabelecimentos que “importam” o abortivo do Paraguai.

Quando vi aquela cena, um aperto tomou conta de mim. Aquele pequeno feto se resumia a uma enorme cabeça em um pequeno corpo praticamente sem forma, apenas cartilagem. Porém, em meio aquela cartilagem um pequeno coração insistia em pulsar. Aquela cena me deixou atônito, impossível não chorar. Mais ou menos duas horas depois, retornei à sala e lá estava o feto, ainda com vida e agonizando.

Eu posso chegar aos 100 anos, mas nunca esquecerei aquela cena que definitivamente me fez ser radicalmente contra o aborto e a favor da vida. Imagino como seria aquele feto hoje, uma moça ou rapaz lindo, cheio de vida. Quem sabe um grande cientista, um professor exemplar, alguém que poderia influenciar a humanidade para o bem, mas que, por decisão de alguém foi impedido de viver e acabou assassinado mesmo antes de nascer.

Eu já vi a agonia de um feto, por isso sou contra o aborto.

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