Talento, esperança e superação: a história do senegalês alfaiate em Toledo

Por Ederlize Alonço dos Reis

Um jovem costureiro senegalês que resolveu atravessar o mundo por um sonho. Na mala apenas o talento, algumas peças de roupa e o desejo de uma vida melhor. Abdou Ndiaye veio para o Brasil e foi acolhido na casa de um amigo em outra cidade e, mais tarde, chegou em Toledo.

O sonho parecia grandioso demais para alguém que trabalhava na indústria e sonhava com o mundo da moda. Uma economia aqui e outra lá e logo comprou uma máquina simples e alguns metros de tecido africano. Poucas horas de sono por dia, muito esforço e os primeiros clientes surgiram. Primeiro os africanos haitianos, mas o público brasileiro logo encantou-se com o colorido dos tecidos e os modelos ousados e cheios de personalidade.

Logo a sala da casa ficou pequena e de costureiro passou a ser estilista. Os pedidos foram aumentando e com uma empresa formalmente aberta ele precisou deixar a indústria para viver da sua arte e construir seu sonho. No Brasil fez outros cursos e aos poucos vai misturando sua cultura para vestir de ousadia todos os povos.

Um belo ateliê na avenida mais importante do bairro em que mora. Centenas de metros de tecido que parecem contar sobre a história e a cultura do estilista africano. Um futuro promissor, mas também momentos difíceis. Abdou perdeu a mãe recentemente. Proporcionar uma vida melhor para ela sempre foi um dos principais motivos da luta e do esforço do jovem senegalês. Foi acolhido no Brasil e mesmo diante da saudade, deixa claro que é feliz e que sonha ainda mais alto.

Suas peças ganharam a internet e ficaram ainda mais populares através dos desfiles e exposições da ONG Embaixada Solidária que atende estrangeiros em Toledo e Região. O jovem senegalês quer ir mais longe e vender para os demais estados brasileiros.

Uma referência para quem deseja recomeçar e um incentivo para quem sonha. Abdou Ndiaye costurou milhares de máscaras de forma voluntária na pandemia e doou para a comunidade estrangeira e brasileira. Sempre que pode vai nas universidades e escolas mostrar sobre a cultura do seu povo e diminuir as distâncias. Um menino, uma tesoura e uma imensa vontade de vencer na vida.

 

 

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