Talibã autoriza saída de 200 estrangeiros do Afeganistão

/utorizados pelo regime, caso contrário incorrem nas “mais graves consequências legais”.

Essa proibição surge depois de várias manifestações terem ocorrido em diferentes cidades afegãs, incluindo Cabul e Badakhshan, nessa quarta-feira, muitas lideradas por mulheres. O protesto na cidade de Herat, que reuniu centenas de pessoas, terminou com a morte de duas.

“Um governo sem mulheres é uma falha”, era uma das frases de um cartaz em Cabul . “O governo foi anunciado e não inclui mulheres nos gabinetes. Alguns jornalistas que cobriram os protestos foram detidos e levados para a polícia”, disse uma mulher citada pelas agências internacionais.

Pouco depois, o novo ministro dizia que era preciso ter uma autorização com 24 horas de antecedência, antes de convocar uma manifestação, de modo a evitar distúrbios e garantir a segurança.

Nesta quinta-feira, o vice-diretor da Comissão Cultural Talibã, Ahmadullah Wasiq, declarou à televisão australiana SBS News que as mulheres afegãs não estão mais autorizadas a jogar cricket e, possivelmente, nenhum outro esporte.

“O Islã e o Emirado Islâmico não permitem que as mulheres joguem cricket ou outros desportos em que fiquem expostas”, explicou Ahmadullah Wasiq. Segundo ele, as mulheres “não precisam de desporto. Ficarão expostas e não seguirão o código de vestuário e o Islã não permite isso”, acrescentou, Para ele, os valores do Islã são devem ser aplicados mesmo que o país sofra “ameaças ou problemas”.

O Comitê Australiano de Cricket reagiu com a ameaça de desmarcar o jogo contra a equipa masculina. Contudo, na última terça-feira (7/9), após semanas de silêncio, o líder supremo Hibatullah Akhundzada declarou que o governo deve sobretudo fazer respeitar a lei islâmica. Akhunzada não se referiu em particular às mulheres.

Líderes antitalibãs

A ordem para o fim dos protestos também surge depois do anúncio da vitória sobre os opositores no Vale de Panchir, ao norte da capital. Contudo, Ahmad Shah Massoud e o antigo vice-presidente afegão anunciaram que ainda continuam na região e a resistir ao Talibã.

“Ahmad Massoud e Amrullah Saleh não fugiram para o Tajiquistão. A notícia de que Ahmad Massoud teria fugido de Panchir é falsa; ele está no Afeganistão”, disse o ex-representante do governo afegão no Tajiquistão, citado pelas agências internacionais.

“Estou em constante contato com Amrullah Saleh, que está atualmente no vale de Panchir e lidera o governo da República do Afeganistão”, declarou Zahir Aghbar, em Duchambé. Aghbar é muito crítico em relação à atuação do ex-presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, por considerar que ele facilitou os avanços do Talibã pelo país.

Ex-presidente

Em mensagem no Twitter, o ex-presidente do Afeganistão explicou a fuga do país quando, em 15 de agosto, o Talibã avançou sobre Cabul.

Ashraf Ghani considera que a saída do país foi a única maneira de evitar o confronto armado e de garantir a segurança dos habitantes da capital. “Saí por insistência da segurança do palácio que me avisou que, caso ficasse, corria o risco de deflagrar a mesma luta rua a rua que a cidade sofreu durante a guerra civil dos anos 90”, escreveu.

“Deixar Cabul foi a decisão mais difícil da minha vida, mas eu acreditava que era a única maneira de manter as armas em silêncio e salvar Cabul e os seus 6 milhões de habitantes”, afirmou.

Ashraf Ghani garantiu que “nunca foi sua intenção abandonar o povo” do Afeganistão. Negou veementemente as acusações “infundadas” de ter fugido “com milhões de dólares do povo afegão. Essas acusações são completa e categoricamente falsas”. A fuga de Ghani foi muito criticada por outros políticos afegãos e rapidamente se espalharam rumores de que teria levado quase US$ 170 milhões para os Emirados Árabes Unidos.

“A corrupção é uma praga que tem paralisado o nosso país ao longo de décadas, e a luta contra a corrupção tem sido o foco dos meus esforços como presidente. Herdei um monstro que não pode ser facilmente ou rapidamente derrotado”, acrescentou Ghani, de 72 anos, ex-funcionário do Banco Mundial.

O antigo presidente afegão se dispôs a ter suas contas familiares auditadas pelas Nações Unidas ou outras organizações independentes.

Foto: Haroon Sabawoon/Anadolu Agency via Getty Images

(Agência Brasil)

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